História / History

Originária da África, sobre a designação de N’golo (dança das zebras praticada pelos homens praticada pelos Mucope na época da puberdade feminina), foi apelidada pelos escravos de Capoeira, termo de origem tupi guarani que designaria “mato ralo”, o local onde habitualmente esta arte seria praticada. Durante a época da colonização, e mesmo posteriormente, aquando da abolição da escravatura, os negros encontram nesta prática forma de se expressar. Praticada às escondidas, disfarçada com danças e músicas tradicionais, reprimida e exibida enquanto manifestação meramente folclórica ao longo de décadas, só em 1937 lhe é concedido o estatuto de Esporte Nacional Brasileiro, pelo presidente Getúlio Vargas.

A capoeira é uma forma de luta que se assemelha a uma dança. Caracterizada por movimentos de extraordinária flexibilidade e malícia, os golpes de ataque e defesa são executados pelos pés, cabeça e mãos. A sua prática proporciona aumento da força muscular, da flexibilidade de articulações e rapidez de movimentos, pelo que se constituí como uma forma de defesa pessoal. Adicionalmente proporciona a manutenção do bem-estar físico e psicológico.

A designação de Capoeira Angola seria, segundo Mestre Pastinha, devido ao facto de terem sido os escravos originários de Angola os que mais se destacaram na sua prática e ensino na Bahia. O que distingue a modalidade de Capoeira Angola das restantes são as movimentações lentas, fluidas, executadas próximo do chão (Jogo de Dentro), que rapidamente transitam para ataques e defesas rápidos e perigosos. A sua prática exige auto-controle e domínio do corpo, já que o jogo de capoeira pressupõe um pacto de não-violência. Mais que uma prática desportiva, a Capoeira Angola é uma filosofia de vida e um ritual elaborado, associado aos movimentos sociais e políticos de luta pela igualdade de direitos sociais, políticos e sociais.